Sobre Beto Jász

Porque "Jász" ?

Em geral as pessoas querem saber se eu sou um músico de jazz ou comentam que escrevi "jazz" errado ou algo do gênero. Mas na verdade esse Jász tem uma outra explicação. É um sobrenome mesmo, por mais que não pareça. De origem húngara. Em português, no registro ficou "iász" com "i" porque se escreve com "jota" mas se pronuncia "i". O que provavelmente aconteceu, foi que na hora de registrar o nome dos imigrantes "Jász" no Brasil, o escrivão provavelmente escreveu mais ou menos que ouviu e entendeu daquela língua ou para evitar escrever "jaz" que teria um sentido negativo em português, preferiu mudar. Aproveitei que sou músico preferi então usar a grafia original porque desta forma eu seria visto como músico só pelo fato de escrever meu nome.

Apesar de ter conhecimento e base para prosseguir um estudo "jazzistico" de música, meu estilo varia do extremo popular ao erudito. Ao me ver tocar ao vivo muitas vezes posso ficar só no "pop/rock", mas isso não significa que meu estudo e conhecimento não seja mais profundo. Isso acontece porque a minha vida musical ensinou que a "música boa" é uma idéia diferente para cada um que ouve. Num teatro a intensão do artista é uma, nas ruas outras, num bar outra... cada local tem sua tradução musical.

Comecei aos 11 anos quando ganhei um violão de aniversário. A princípio fiz algumas aulas particulares  com alguns professores que me deram a base inicial, porém segui um longo caminho sozinho. Passava horas tocando e tirando músicas. Interessei-me a princípio por tocar, depois embasei teoricamente meu conhecimento. Aprendi diversos instrumentos: violão, guitarra, piano, teclado, viola caipira, cavaquinho, violino, etc. Estudei piano clássico que foi onde aprendi a refinar o ouvido e ir além das notas e observar as intenções, a expressão.

A alma do músico vai se transformando com o tempo e creio que a maturidade musical foi me deixando ao longo dos anos mais consciente da multiplicidade de intensões que uma música pode ter. Ela pode ser técnica, afinação, emoção, letra, moda, cultura, muitas coisas.

Minha formação em psicologia acrescentou um tempero de conhecimento humano especial na compreensão dos sons, idéias, intensões, emoções.

Eu por mim mesmo sou uma pessoa simples na aparência e nos modos e me interesso muito por conhecimento e cultura. Creio que a inteligência é nosso bem mais valioso, acima de tudo porque é com a inteligência que manejamos o instrumento musical, nossas idéias e nossa própria vida.

Minha maior frustração é ver a modernidade esquecer a idéia de conhecimento real, conhecimento verdadeiro, substituindo isso pelos diplomas vazios de significado e idéias.

Minha maior alegria é ver que o músico tem o seu lugar na sociedade e que é uma opção real "tornar-se músico". Aprendendo a caminhar a vereda da música descobri que há um mundo particular de ser do artista que tem lugar especial na vida das pessoas, nas emoções delas e nas relações humanas.

Para o futuro, espero que meu trabalho próprio continue se deselvonveldo e que cresça sempre.

E dos alunos, espero vê-los crescendo como músicos, como pessoa e que isso seja uma contribuição musical de um mundo melhor.

É isso...

Beto Jász